11/04/2018

Desvendando Falácias Sobre a Canola

   O óleo de canola é um dos assuntos mais abordados na mídia fantasiosa, sempre com informações sem fundamentos científicos tais como: "a colza é um 'tipo' de mostarda que foi ou é a mesma planta utilizada para a produção do agente mostarda, gás letal usado de forma terrível nas Guerras Mundiais. Além disso, citam que as pequenas quantidades de ácido erúcico, que ai nda persistem na planta alterada (transgênica), continuam sendo tóxicas para o consumo humano, e que esta ação tóxica é cumulativa no organismo. Com base em todas estas informações que circulam nos vários canais de comunicação, o objetivo deste artigo é de esclarecer de maneira clara e científica o assunto Canola, um dos principais óleos vegetais produzidos no Brasil e em vários países no mundo.
COMPOSIÇÃO- CANOLA As cultivares de canola pertencem as três espécies, Brassica napus, B. rapa, e B.juncea da família Brassicacea (Cruciferae) a qual é composta por cerca de 3 mil espécies de plantas, principalmente do hemisfério Norte.
Estas espécies vêm sendo cultivadas desde a pré-história e empregadas no consumo humano, e outros usos, de suas raizes, caules, folhas, flores e grãos. Tradicionalmente, as sementes derivadas da Brassica napus eram inapropriadas ao consumo humano ou animal, devido a presença de duas substâncias naturais tóxicas, ácido erúcico presente no óleo e glucosinolatos presente na fração proteica. Por definição, para ser CANOLA (planta e seus grãos), a oleaginosa precisa se enquadrar em padrões regulados internacionalmente: "Sementes do gênero Brassica (Brassica napus, Brassica rapa ou Brassica juncea) do qual o óleo deve conter menos de 2% de ácido erúcico no perfil de ácidos graxos e a torta desengordura e seca deve conter menos de 30 micromoles de um ou qualquer mistura de glucosinolatos (3-butenyl glucosinolato, z-pentenyl glucosinolato, z-hydroxy-j butenyl glucosinolato, e z-hydroxy- z-pentenyl glucosinolato) por grama". Também são conhecidas como variedades "Double Low", por conta dos valores reduzidos de ácido erúcico e de glucosinolatos. Apesar do máximo de 2% de ácido erúcico permitido para variedades de canela, atualmente os valores encontrados deste ácido graxo no óleo de canola são inferiores a 0,2%. As espécies de canola possuem relação genética próxi ma com outras Brassicas, como o repolho, couve-flor e mostarda (provável foco da ligação relacionando a canola ao gás mostarda, que é um produto sintético que nada tem a ver com canola). A semelhança genética, viabiliza o melhoramento genético da canola para incorporar na canola genes de resistência a pragas e outras características agronômicas e de qualidade dos produtos disponíveis nas outras espécies. Mesmo o óleo de canola produzido de plantas geneticamente modificadas não contém nenhum ingrediente geneticamente modificado porque a modificação na canola transgênica é efetivada num gene da planta e em sua proteína. Como todas as proteínas são removidas do óleo de canola durante o processamento, o óleo de canola proveniente de plantas transgênicas não é diferente do óleo produzido por plantas de cultivares convencionais, não transgênicas, sendo seguro e saudável como o de cultivares não transgênicas. Portanto, o óleo produzido por plantas OGM' s é livre de proteínas transgênicas e com a mesma composição isenta de transgenia que o óleo convencional. Desde os anos 1980 a Embrapa Trigo realiza pesquisas agronômicas com canola e, desde 2008, sua missão inclui a coordenação nacional das pesquisas para a produção de canola e vem realizando esforços visando o estabelecimento de uma rede de colaboração com instituições de ensino, de pesquisa, de fomento a produção de grãos e outras empresas para tornar a canola uma alternativa economicamente sustentável na agricultura brasileira. Detalhado acervo de resultados, indicações de cultivo e outras informações sobre canola estão disponíveis em:

Autores:
Dr. Renato Grimaldi - Laboratório de Óleos e Gorduras/ DTA / FEA/ UNICAMP
e-mail.·grimaldi@fea.unicamp.br

Dr. Gilberto Omar Tomm - Engenheiro Agrônomo/ Pesquisador da Embrapa trigo/ Passo Fundo/ RS. e-mail.gilbertotomm@embrapa.br

http://www.mflip.com.br/pub/stilo/index4/?numero=18&edicao=10535#page/61

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